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Quando a dor vem de um semelhante

  • Foto do escritor: jahmayconqueiroz
    jahmayconqueiroz
  • 27 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Por Misleny Pereira

Em uma manhã comum, estava andando na rua, quando repentinamente passou um garoto ao meu lado. Era um garoto de pele retinta. Ele me olhou e de repente falou em um tom de voz alto: “cabelo de bombril”.

Enquanto ele me encarava, não tive uma reação. Eu já havia sofrido racismo antes, já tinha passado por atos de violência muito piores e mais explícitos, mas aquele foi diferente, não era uma pessoa branca. Era uma criança com cerca de oito anos, e o pior: era um preto cometendo racismo comigo.

Naquele momento tive uma reflexão sobre o quanto o racismo é normalizado e enraizado em nossa sociedade, ao ponto de um negro praticar preconceito contra um semelhante.

A escravidão passou, mas deixou uma ferida que parece impossível de cicatrizar. Um preconceito que dói não só na carne, mas também na alma. Nossa mente foi tão manipulada por essa sociedade preconceituosa que, às vezes, parece errado lutar contra esse preconceito –  como se estivéssemos numa luta, não contra o racismo, mas contra nós mesmos.

Nossa mente normalizou sofrer preconceito. Normalizou pensar que preto é bandido, que preto é perigoso, que preto é burro, que ser preto é errado, que ser preto é sinônimo de sofrimento.

Mas ser preto não é sofrimento. Ser preto é ser resistente, é ser persistente, é ser resiliente, é ser inteligente, valente, trabalhador e lutador.

Ser preto não é só luta, não é só queda, é persistir mesmo quando a sociedade não colabora, é insistir em vencer mesmo quando é parado pela polícia só por causa da cor, é lutar todos os dias pelas oportunidades que foram roubadas, é ser valente diante de um sistema que mais oprime do que acolhe.

Ser preto é resistir de cabeça erguida mesmo vivendo sob uma mira.

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